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Primeiro as soluções e somente após as justificações

José Meireles

O aumento das importações – Um mal necessário ou um bem desejável.

O se abordar a questão do aumento de importações imediatamente nos vem à idéia que é um aspecto ruim do comércio internacional, podendo levar à desindustrialização e à redução do emprego. Alguns adotando posições mais defensivas como o Ministro Mantega referem que no estado atual do Brasil “embora a participação percentual dos resultados da indústria no PIB tenha caído de 41,6%, em, 1992, para 24,5%, em 2009, o setor voltou a crescer de forma sustentável, a indústria se consolidou e o que houve em todo o mundo foi um avanço da participação do setor de serviços no PIB”. Estaria certo se o Brasil estivesse contribuindo para esse aumento e se a nossa estrutura econômica tivesse outra forma???

A realidade é bem distinta e pode ser aproveitada para impulsionar o crescimento de algumas indústrias, mas caberá às entidades oficiais fazerem a sua parte, procurando remédios em vez de justificativos, pois aqueles conduzem ao desenvolvimento e este não são mais do que frases de efeito.

O que se passa no Brasil é que estando o real valorizado as empresas habituadas a vender seus produtos com alguma facilidade estão tendo maiores dificuldades para conseguirem encomendas, levando alguns setores, especialmente as manufaturas a reclamarem da invasão (de produtos) asiática. Ou seja, conjugando a inércia dos nossos produtores, no que se refere a vendas, com as políticas não desenvolvimentistas o discurso procura justificativas injustificáveis.

A qualidade de nossos produtos é inegável e confirmada pela grande quantidade de tradings atuando no país e distorcendo o número de empresas exportadoras e ainda pelo elevado peso do drawback nas exportações. Assim já é hora das empresas produtoras começarem a vender a sua qualidade e não servirem de meio para que outros controlem os canais vendendo seus produtos de qualidade.

O produto chinês, tailandês não se compara com o nosso, que é melhor e com outras características, pelo menos, por enquanto. Assim, já é hora dos produtores brasileiros venderem de forma autônoma seus produtos no exterior em segmentos que priorizam a qualidade ao preço. O produto brasileiro é bom demais para competir com o similar chinês!

Mas também é hora do governo apoiar este esforço e sobretudo de mudar o discurso, deixando de lado o país do agronegócio, para falar do país da agroindústria e do grande mercado brasileiro e passar a falar no enorme mercado mundial, ou não será verdade que uma empresa do Uzbequistão pode vender livremente seus produtos no grande mercado brasileiro, por que uma empresa brasileira não faz o mesmo no grande mercado mundial?